O “Plug Flap” ou retalho em ilha da mama: técnica inventada pelo Dr. Daher para reconstrução mamária pós quadrantectomia. Vista frontal.

Reconstrução mamária pelo “plug flap” pós quadrantectomia. Vista de perfil.

Os cirurgiões plásticos se prepararam para as reconstruções totais da mama mas não estavam preparadas para as reconstruções parciais.

Assim quando os mastologistas começaram a adotar condutas mais conservadoras produzindo feridas menores nas mamas, chamada de Quadrantectomias, embora muito menos traumáticos que as mastectomias radicais, o seu fechamento simples provocava resultados distorcidos e inaceitáveis esteticamente.

UMA EXPERIÊNCIA PESSOAL: Sempre muito dedicado a este capítulo da cirurgia plástica deparei-me com um caso de amputação parcial, de solução dificílima, onde o mastologista retirara todo o quadrante central (mamilo e aureola, projetada em um grande cilindro até o plano muscular na parede anterior no tórax).

Neste dia e neste caso, em um momento de iluminação divina, concebi um procedimento que viria a se transformar depois em uma técnica que auxiliou e auxilia muitos cirurgiões plásticos em todo o mundo e beneficia centenas de pacientes.

Das contribuições que dei a Medicina, embora não seja a que tenha tido maior notoriedade acho que foi a de maior importância: Foram os Retalhos em Ilha das Mamas, que chamo também de “Plug-Flaps”.

Esta técnica se aplica quando o mastologista retira um segmento da mama, geralmente agregado a um segmento da pele mais próxima ao tumor (ou mesmo sem este fragmento de pele). Para melhor visualização, imagine um orifício cilíndrico, profundo, na forma de um gargalo de garrafa que atravessa toda a mama, desde a pele até as costelas.

Neste momento o cirurgião plástico vai em alguma região do polo inferior da mama, de preferencia onde há exuberância ou “sobra” de tecido, onde a mama é caída, desenha e esculpe um “cilindro” de tecido com pele em seu topo(ou não, dependendo da ferida deixada pelo mastologista), e este cilindro fica preso ao plano profundo onde entram as artérias e veias, conferindo-lhe vida.

Após, o cirurgião fará com que a extremidade livre deste cilindro atravesse os tecidos sadios da mama por pequeno túnel, levando-o para preencher a área amputada como uma rolha que se encaixa no gargalo ou o pino de uma tomada que se encaixa em seu orifício. É o “PLUG”, que se encaixa como que se fosse no buraco de uma tomada.

Reparada a ferida originada pela retirada do tumor, acabamos de modelar a mama em sua melhor forma estética, buscando-se um bonito cone, harmonioso com a outra mama, usando-se as técnicas clássicas de plástica mamaria e, se necessário trabalhamos a mama remanescente para uma maior harmonia.

É técnica de extrema simplicidade que, depois de concebida, foi fundamentada por pesquisas anatômicas sobre os vasos que saem da parede do tórax, pesquisas estas desenvolvidas por mim e depois confirmadas por outros pesquisadores.

Com esta técnica, faz-se a retirada da área doente de forma conservadora e o paciente preserva sua mama em quase sua totalidade, melhorando na maioria das vezes sua forma.

O “Plug Flap” ou retalhos em ilha da mama, descrito por Daher, pode ter formas e volumes diversos, dependendo da lesão resultante da quadrantectomia, o que confere grande flexibilidade a técnica.