TRAM – Transverse Actus Abdominal Muscle Flap ou reconstrução mamária pelo retalho transverso do músculo reto abdominal: esta é uma belíssima técnica publicada em 1983 e divulgada no Brasil com grande participação do Dr. Daher.

Esta foi uma das mais engenhosas técnicas desenvolvidas para a reconstrução mamária e foi uma das mais utilizadas, perdendo espaço modernamente para os expansores e implantes de silicone, em função da prática das cirurgias mais conservadoras para o câncer de mama (que preservam mais os tecidos mamários e pela enorme melhora da tecnologia das próteses de silicone).

A técnica dos retalhos abdominais aplicável a todas as pacientes, principalmente àquelas que tem o tecido abdominal exuberante, abaixo do umbigo.

Essa técnica consiste, a grosso modo, na realização de uma plástica abdominal onde uma “elipse” (fuso) de tecido abaixo do umbigo é retirada, sendo que, em vez de desprezarmos o tecido (como ocorre na plástica abdominal), o mantemos preso ao músculo reto abdominal e através um túnel construído sob os tecidos de revestimento do abdômen, o levamos à região da mama retirada, área a ser reconstruída.

É uma técnica extremamente interessante, pela exuberância de tecidos de que dispõe o cirurgião plástico para modelar uma nova mama.

Os resultados são gratificantes porque quando praticados em pacientes já operados (reconstrução tardia), extremamente sofridos por sua amputação, confere em uma melhora extraordinária, tanto física quanto psíquica.

Se se trata de reconstrução imediata (concomitante com o tratamento de retirada do câncer feita pelo mastologista), sevita o dramático trauma do paciente sair do centro cirúrgico sem a mama. Em vez disto, sai sem a doença e já com a mama reconstruída, ainda que parcialmente, pois detalhes de acabamento serão praticados em um segundo momento.

Pode-se dizer que se faz uma “abdominoplastia atípica” e que o tecido retirado, ao invés de ser desprezado é reutilizado na reconstrução da mama retirada. Os tecidos do baixo ventre, pregados no músculo reto abdominal ficam vivos. O músculo é flexionado e leva-se o retalho para a região da mama reconstruída.

No primeiro momento, reconstroem-se o volume e o cone mamário; no segundo momento, ou seja, uma outra cirurgia, reconstroem-se a auréola e o mamilo, e equaliza-se a mama contralateral remanescente, para fazê-la o mais semelhante possível à reconstruída.

Para se reconstruir a auréola, usa-se um enxerto de pele retirada da raiz da coxa (junto à vulva) ou parte da auréola contra lateral. Essa retirada de pele nessa região, deixa pequena incisão na raiz da coxa, praticamente imperceptível e de importância menor. Para o mamilo, usamos em geral, os tecidos próprios locais e com eles fazemos a elevação central.

Nas reconstruções com o TRAM, na maioria das vezes, temos tecidos suficientes para reconstruir toda a mama.

Em casos mais raros de pacientes mais magros que não têm volume suficiente de tecido, pode-se associar o TRAM ao implante de silicone  que completará o volume desejado.