Yves Gérard Illouz, inventor da Lipoescultura e Dr. José Carlos Daher

A lipoescultura representa hoje mais de 50% das cirurgias estéticas praticadas no mundo.

Inicialmente foi denominada de lipoaspiração, pois significava a retirada da gordura de regiões localizadas do corpo. Depois, esta gordura retirada passou a ser injetada em áreas onde se necessitava de preenchimento para melhor contorno e daí o nome ter evoluído para lipoescultura.

Este é um dos mais fascinantes capítulos da Cirurgia Plástica por sua historia contemporânea e pela revolução que causou, acrescentando uma lista infinita de novos recursos aumentando enormemente o campo de ação da especialidade.

Este processo revolucionário, foi descoberto casualmente, como o próprio autor define, pelo francês Yves Gérard Illouz.

Costumo dizer que Illouz colocou a França no quadro mundial da cirurgia plástica.

Na verdade aquele país já era bem desenvolvido na cirurgia plástica por grandes nomes da cirurgia reparadora (Paul Tessier, por exemplo, especialista das cirurgia Crânio – Maxilo Facial), mas não tinha notoriedade na cirurgia estética como o Brasil, numero um do mundo pela notoriedade que Ivo Pitanguy lhe deu. Coube a Illouz dar esta notoriedade à França.

A lipoescultura, é um procedimento simples em seu princípio técnico e é aplicável em praticamente todas as regiões do corpo humano: consiste em introduzir por pequeno orifício na pele um tubo com um furo na ponta (ou vários furos), que vai deslizar na intimidade do tecido gorduroso imediatamente mais ou menos próximo à pele. Este tubo é conectado a um sistema de pressão negativa (uma seringa ou um aparelho de sucção), e sugará o tecido gorduroso.

Interessante é que não há sucção da gordura somente, mas de parte do tecido gorduroso, trazendo consigo células gordurosas, que são o depósito desta gordura.

Assim, de maneira surpreendente, o corpo perde a possibilidade de engordar seletivamente naquela área, modificando aquilo que e uma característica genética de cada um.

Este processo, Illouz descobriu, como ele próprio relata, quando tentava tirar lipomas (pequenos tumores gordurosos benignos) de uma paciente sua que queria cicatrizes mínimas e daí evoluiu para as retiradas maiores e em diferentes partes do corpo.

A técnica da lipoaspiração

Este processo, quando foi divulgado, por ser aparentemente fácil, atraiu várias pessoas despreparadas para o procedimento, gerando uma serie de complicações que foram atribuídos à técnica.

Isto não correspondia à realidade da técnica que, embora simples não é fácil. Demonstrava que teria que ser aplicada por Cirurgiões Plásticos devidamente habilitados, com formação médico-cirúrgica especializada e total domínio na arte da Medicina e treinamento para praticar a lipoaspiração.

Tirar a gordura é simples, mas retirá-la com exatidão é difícil e exige perícia e conhecimento especializado em Cirurgia Plástica. Os Cirurgiões plásticos foram preparados e se desenvolveram junto à técnica. Como o processo parece simples outros profissionais da saúde se aventuram a fazê-lo, o que deve ser recusado pelos órgão de classe e pelos pacientes.

Soma-se a isto a necessidade de estrutura de apoio de anestesistas, enfermeiros e equipamento e local apropriados, conferindo segurança máxima ao paciente. É um trabalho exclusivo de especialistas.

É um procedimento que pode ser aplicada em quase todas a regiões do corpo humano, respeitadas as características anatômicas de cada região.

A injeção de gordura, ou implante de gordura ou lipo implante

A gordura retirada era automaticamente desprezada. Depois começamos a injetá-la nas áreas deprimidas do corpo ou onde queríamos maior volume. Nas nádegas por exemplo.

Alguns cirurgiões ficaram céticos no início pois sentiam que a gordura injetada era absorvida. Passaram depois a perceber que era absorvida em parte, mas que outra parte permanecia, ficava integrada como tecido vivo transplantado para a região e que até engordava qdo o paciente ganhava peso. O primeiro lugar que se consagrou como excelente receptor de implante de gordura foram as nádegas, cuja modelagem quando se retira culotes e flancos e a aumentamos, da resultados incrivelmente bons.

Já na face, por alguma razão a absorção era maior. Desenvolvemos então métodos de coleta e preparação desta gordura, passamos a fazer hipercorreções que apareciam no pós operatório imediato, mas que evoluíam de maneira extraordinária após a absorção parcial esperada. Desenvolvemos trabalho que mostra que  cerca de 45% da gordura injetada é incorporada.

As injeções de gordura na face tornaram-se imperativas para a recuperação dos volumes e contornos perdidos no processo do envelhecimento. Paralelamente observou-se os maravilhosos resultados que o enxerto de gordura trás à textura da pele circunvizinha, à melhora das cicatrizes, etc etc.

Os enxertos de gordura, definitivamente incorporados às práticas da cirurgia plástica, somou-se à já consagrada lipoaspiração, ensejando o termo absolutamente correto e pertinente: Lipoesculturas.