Seu intestino é irritável? – Jornal da Comunidade- 25/07/09

Dietas regulares, exercícios físicos e ritmo de vida regrado podem ajudar a amenizar a doença funcional que atinge milhões de mulheres entre 30 e 50 anos A síndrome do intestino irritável é considerada uma das principais desordens digestivas do mundo. A doença acomete mais de um milhão de pessoas – sendo 10% da população brasileira – e caracteriza-se por ser um distúrbio funcional, ou seja, que não apresenta lesão, mas causa muito desconforto. “Ainda não identificou-se qualquer alteração orgânica nos pacientes. A denominação irritável caracteriza um intestino muito responsivo para situações completamente normais”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, Flávio Antonio Quílici. Assim como outras doenças funcionais, a síndrome não tem substrato estrutural ou bioquímico conhecido. Dessa forma, segundo o gastroenterologista Eduardo Vaz de Castro, exames de sangue ou de imagem geralmente tem dados normais. “Apesar do grande incômodo, todos os exames obtidos possuem resultados regulares e não oferecem risco”, afirma ele, também membro da Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Para Quílici, o motivo da patologia pode estar diretamente ligada aos mediadores viscerais, como a serotonina. “Sabe-se, no entanto, que fatores psicológicos, nutricionais, químicos e endócrinos, agem como desencadeantes ou agravantes”, alerta o médico. De acordo com ele, estudos comprovam que pessoas atingidas pela doença tem três vezes mais chances de usar antidepressivos e são nove vezes mais consumidoras de antiácidos. Quadro clínico
Os indícios da síndrome tornaram-se tão comuns no mundo ocidental, que a maioria das pessoas sofrem em silêncio. Dados da Organização Mundial de Gastroenterologia apontam que 90% dos pacientes não buscam cuidados médicos. A gastroenterologista Ana Maria Alves Soares, afirma que, em algum momento da vida, as pessoas podem ter a doença. “O mal não se constitui num estado permanente nos indivíduos”. De acordo com Eduardo Vaz de Castro, o diagnóstico da síndrome do intestino irritável é feito por meio da história minuciosa do paciente, no qual se avalia a presença de sinais, como distensão ou dor abdominal, constipação, sensação de evacuação incompleta e muco nas fezes. Esses sintomas, conforme ele, são, em geral, crônicos e recorrentes, podendo ter intensidade variável. “Assim, não há possibilidade de prevenção, o que se agrava com o estresse e a ingestão de alguns alimentos”, observa.

O médico acrescenta que, muitas vezes, é necessária a realização de exames complementares para excluir outras doenças que apresentam quadro clínico semelhante, como câncer de intestino, doenças da tireoide ou inflamatórias digestivas, além de intolerância à lactose ou glúten. Dieta e remédios
As mulheres com idade entre 30 e 50 anos são as que mais sofrem com a síndrome. O gastroenterologista Flávio Ejima atribui o fato às dietas irregulares, ao estilo de vida intenso e à falta de exercícios físicos. “Não são causas reconhecidas, mas afetam o organismo das pessoas”. O impacto da síndrome na vida do indivíduo traz um sério problema na qualidade de vida, prejudicando atividades diárias e o desempenho geral. “O que mais cai é a produtividade”, completa.
Para o tratamento, Flávio Quílici explica que é feita uma avaliação de alterações psicossociais com dieta e medicamentos. Na abordagem dietética,  faz-se uma análise entre o alimento e o comportamento do intestino. “A reatividade intestinal está relacionada aos alimentos em geral e não a qualquer substância específica”. Com relação a medicamentos, ainda não existe um tratamento específico. “O uso de remédios se dá para aliviar os sintomas, considerando sua frequência e intensidade”. Ejima não recomenda a automedicação, uma vez que o quadro clínico pode piorar. Outro erro muito recorrente, de acordo com ele, é aumentar demasiadamente a ingestão de fibras. “Os alimentos ricos em fibras têm uma função importante no aparelho digestivo, controlando seus movimentos peristálticos e facilitando a digestão. Mas, em excesso, também apresentam riscos. Se você come muita fibra e não toma bastante líquido, a digestão fica mais vagarosa”, alerta.
A terapeuta Lúcia Teixeira indica tratamento ortomolecular para amenizar a doença. Para ela, pessoas com a suspeita da síndrome precisam fazer um registro diário do que é consumido. “Diagnóstico eficiente e efetivo”
 
A Danone realizou uma pesquisa em 15 países, avaliando 9,7 mil mulheres com idade entre 18 e 70 anos. O estudo abordou vários assuntos relacionados ao desconforto digestivo, como inchaço ou dor, hábitos alimentares e tensão. Além disso, foi analisado o impacto dos sintomas no cotidiano das pessoas, como preveni-los ou tratá-los e quais produtos e técnicas podem ser usadas para combatê-los. “É uma pesquisa relevante, um esboço do que pode ser feito para um diagnóstico eficiente e efetivo. Ela revisa e discute perspectivas atuais e futuras no tratamento da síndrome”, afirma o presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia, Jaime Natan Eisig. Para Eisig, o uso de probióticos nos alimentos pode ajudar a restabelecer a microflora intestinal e, assim, reduzir os sintomas da síndrome do intestino irritável. Segundo a Organização de Agricultura e Alimentação, os probióticos são micro-organismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, promovem um grande benefício à saúde. São encontrados em alimentos como iogurte e leite fermentado e não existem restrições para o seu consumo. Colaborou a estagiária Karine Sousa

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