Dores crônicas aumentam no inverno – Jornal da Comunidade – 09/08/09

Os dias frios podem ser potencialmente desagradáveis para os portadores de dores crônicas, que sentem os sintomas com mais intensidade. Devido a questões hormonais, o problema atinge 34% das mulheres e 24% dos homens e deve ser tratado precocemente.

Sensações dolorosas servem como sinal para a existência de alguma doença ou de que o corpo chegou ao seu limite devido a um esforço físico ou a um alto nível de estresse. Quando esse sintoma persiste por um período prolongado pode ser caracterizado como crônico, situação que atinge 30% da população mundial, mas esse percentual aumenta durante o inverno. O motivo da piora da dor crônica nos dias frios é que as baixas temperaturas causam uma constrição vascular e as articulações tendem a ficar menos lubrificadas, o que acarreta em contração da musculatura. Esse processo prejudica a circulação corpórea e, consequentemente, causa maior sensibilidade à dor e ao frio. Segundo o fisioterapeuta do Hospital Daher, Arllen Junqueira, dor crônica é aquela que persiste por mais de três meses. Alguns profissionais, porém, acreditam que para conceituar a dor como crônica este período deve ser superior a um semestre. Males como reumatismo, lombalgia, artralgia, depressão, neuropatias diabéticas ou não, doenças da microcirculação (microangiopatias), entre outras, são normalmente acompanhadas de dores crônicas. “Com o tempo, as sensações dolorosas alteram os circuitos cerebrais e a dor crônica pode ser considerada a própria doença”, afirma a  professora da Universidade de São Paulo (USP) e neurocientista Silvia Siqueira. Arllen Junqueira, por sua vez, esclarece que a dor crônica pode ser derivada de uma lesão anterior ou ser adquirida com o desgaste dos anos. “Um atleta que nos anos 70 ou 80 rompeu algum dos meniscos de seu joelho e foi submetido à retirada deste, invariavelmente sofreu com o desgaste de sua articulação, gerando a dor permanente”, diz.

Tipos

É possível classificar a dor crônica em três tipos: a de origem não maligna, como a dor lombar, artrite reumatoide e fibromialgia; a intermitente, que é a dor de cabeça provocada pela enxaqueca; e a dor maligna, associada ao câncer e à síndrome da imunodeficiência adquirida. Para o coordenador do serviço de ortopedia do Hospital Daher, Marcus Paulo Barbosa, a ocorrência da dor depende da situação e da idade da pessoa. “Uma mulher magra pode ter artrite reumatoide e sentir dores principalmente nas mãos, punhos e pés. Já um jovem obeso pode apresentar dores nos joelhos por motivo de gonartrose (desgaste anormal da articulação do joelho)”, exemplifica. “Uma criança pode ter dores crônicas nos joelhos devido a famosa ‘dor do crescimento’, e um idoso é propenso a adquirir dores nas vértebras em decorrência de osteoporose (perda de cálcio dos ossos)”. As mulheres sentem mais dores do que homens, devido a questões biológicas ligadas aos hormônios, fazendo com que a quantidade de receptores e neurotransmissores sejam diferentes entre os sexos. Pesquisa da USP revela que a dor crônica atinge 34% das mulheres e 24% dos homens. 40% de obesos e 30% de indivíduos com sobrepeso também sofrem com o problema. Em relação à faixa etária, 35% dos que possuem o sintoma estão entre os 50 e 59 anos, 30% estão entre os 60 e 69 anos e 20% estão na faixa etária de 18 a 29 anos de idade

A Organização Mundial da Saúde estima que 50 milhões de pessoas sintam esse tipo de dor. De acordo com Marcus Barbosa, em algum momento na vida 15 a 25% dos adultos sofrerão de dor crônica; em indivíduos acima de 65, a porcentagem aumenta para 50%.


Formas de prevenção e tratamento

A neurocientista Silvia Siqueira admite que existe de fato um aumento da prevalência de dor nos dias frios, o que exige maiores cuidados posturais como forma de prevenção. Já o tratamento fisioterápico, explica Arllen Junqueira, deve conter inicialmente uma anamnese, que relate o fator que levou a desencadear o quadro, a idade, o peso, as atividades diárias, os exames objetivos e subjetivos, entre outros itens. “Antes de o fisioterapeuta iniciar qualquer procedimento, ele deve considerar todas estas informações, a fim de traçar uma linha de tratamento individualizado para cada paciente”, explica o especialista. O fisioterapeuta lembra que a acupuntura tem tido grande destaque como terapia alternativa para amenizar a dor crônica. O tempo de tratamento varia de acordo com a causa, intensidade, gravidade e local da dor. Muitos especialistas relatam que, dependendo da identificação das causas, é possível curar a dor crônica. “Na maioria dos casos é possível controlar a incidência das dores, desde que o tratamento seja realizado de maneira adequada e medidas de prevenção de crises sejam instituídas, evitando a recorrência dos sintomas”, explica Silvia Siqueira. O ortopedista Marcus Barbosa esclarece que as articulações são nutridas pelo chamado líquido sinovial. Devido a vasoconstrição (contração dos vasos) em decorrência do frio, a produção desse líquido diminui, acarretando dores. Outro fator que deve ser levado em consideração é a tendência de as pessoas ficarem mais quietas em momentos de temperaturas baixas, diminuindo o líquido sinovial que é produzido sob a estimulação do movimento. “Exercícios físicos, devidamente liberados pelo cardiologista de confiança, são uma ótima forma de prevenir as artralgias (dores nas articulações) no inverno”, finaliza o ortopedista. Massagens e uso de bolsas térmicas são outras medidas comuns para amenizar as dores.

Dor crônica é gerada pelo cérebro Herta Flor, professora titular do Departamento de Neurociência Clínica e Cognitiva de Ruprecht-Karls-University of Heidelberg, na Alemanha, realizou importante pesquisa na qual, através de exames de ressonância magnética, tornou-se possível desenhar o mapa cerebral da dor crônica e observar as alterações que o problema causa no cérebro. Herta chegou à conclusão de que os pacientes com dor persistente possuem alguns aspectos sensoriais alterados, com destaque aos relacionados com o sistema límbico, que é responsável pelas emoções. Tais alterações representam a potencialização da dor e podem agravar o incômodo do paciente crônico. “Pessoas com dores constantes nas costas, por exemplo, sentirão uma dor mais intensa do que alguém que teve o mesmo problema, porém com incidências esporádicas”, explica a especialista. A neurocientista Silvia Siqueira, por sua vez, acredita que a dor pode ser potencializada pelo cérebro. “O estímulo que causa as dores só passa a ser percebido pelo indivíduo quando atinge o córtex cerebral, sendo modulado para mais ou para menos, dependendo de influências do meio externo, além de influências cognitivas e emocionais. Quanto mais frequentes forem as dores mais elas são registradas e novos episódios acontecem”, conceitua. Por isso, ela lembra que a dor deve ser tratada precocemente. Presidente do 4º Congresso Interdisciplinar de Dor da Universidade de São Paulo (Cindor 2009), Silvia Siqueira revela que uma das dores crônicas mais presentes na população é a dor na face, atingindo 25 a 40% das pessoas; já a dor de cabeça atinge mais de 50% dos brasileiros.

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