Hormônio feminino influencia na fertilidade masculina – 10/08/12

Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) descobriram que o hormônio feminino estrogênio também desempenha papel fundamental na fertilidade masculina. Segundo os pesquisadores, essa descoberta ajuda a entender alguns casos de infertilidade cujas causas não são conhecidas, além abrir portas para novos tratamentos de fertilidade masculina. A coordenadora da pesquisa, Catarina Segreti Porto, explica que o nível de estrogênio na corrente sanguínea do homem é mais baixo que o circulante na mulher. Contudo, quando se analisam os órgãos do sistema reprodutor masculino, o teor é até mais alto que o existente na mulher. Analisando material retirado do testículo de ratos, os pesquisadores descobriram que existem três tipos diferentes de receptores de estrógenos nas células responsáveis pela manutenção da produção do espermatozoide – as chamadas células de Sertoli. Essas células se proliferam apenas em uma fase do desenvolvimento que ocorre antes da puberdade, e é esse processo é o que vai determinar a quantidade de espermatozoides que o indivíduo produz na idade adulta. Quanto mais células de Sertoli, maior o número de espermatozoides. Os pesquisadores descobriram um receptor conhecido como receptor de estrógeno alfa, que é responsável por estimular a proliferação das células de Sertoli. Como alguns casos de infertilidade masculina não estão relacionados à falta de testosterona, de outros andrógenos ou de seus receptores, a falha na produção de estrogênio ou no funcionamento desse receptor alfa. Foram detectados ainda mais dois receptores: o receptor de estrógeno beta, que tem a função antiproliferativa nas células de Sertoli e está expresso em maior quantidade no período que antecede a puberdade; e o GPER que tem a função de inibir o processo de apoptose das células de Sertoli, ou seja, é responsável por manter as células vivas. Segundo Catarina, o estudo fornece ferramentas para que, no futuro, seja possível elaborar medicamentos específicos para problemas relacionados a cada um desses receptores. Entretanto, a pesquisadora ressalta a necessidade de mais estudos sobre a expressão desses receptores nas diferentes fases de desenvolvimento para descobrir a possibilidade de intervenção na produção de espermatozoides.

Fonte:Boa saúde

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