Emoções afetam o coração (e vice versa)

ED-SAUDE-358-3-[8270687_1].pdfA ciência já deixou claro que o verdadeiro órgão dos sentimentos é o cérebro, e não o coração – embora este ainda seja o principal símbolo do amor. Mas isso não quer dizer que o músculo mais fundamental do corpo esteja imune às emoções. “Hoje, sabemos que a mente influencia na saúde cardiovascular. E o inverso também é verdadeiro”, enfatiza o cardiologista Maurício Wajngarten. Esse médico, aliás, fundou recentemente o grupo de estudos em cardiologia comportamental da Sociedade Brasileira de Cardiologia para fomentar pesquisas nesse campo. Um dos principais focos é a depressão, até porque, como destaca uma revisão da Universidade Médica Charité, na Alemanha, são muitos os motivos pelos quais esse distúrbio psiquiátrico pode afetar o peito. “O organismo de um deprimido é um organismo estressado como um todo”, aponta a psicoendocrinologista Linn Kühl, autora do levantamento. É como se ele se defendesse ou tentasse fugir a todo momento de uma ameaça que não existe. Assim, a exemplo de um mecanismo em que mexer com uma única peça abala todas as demais, a pressão sanguínea se eleva e os batimentos cardíacos vão às alturas, dois fatores que catapultam os riscos dos perigosos infartos. A tristeza profunda ainda desregula os níveis de cortisol na circulação. Em excesso, esse hormônio promove a liberação de substâncias inflamatórias, como a interleucina 6. Elas, por sua vez, danificam o coração e patrocinam coágulos e placas de gordura, capazes de entupir as artérias. “Altas taxas de cortisol também estimulam o aumento da glicose no sangue”, diz Renério Fráguas Júnior, psiquiatra da Universidade de São Paulo. Se um cenário desses não é revertido, abre-se a porta para o diabete, doença com potencial para lesar os vasos. “Apesar de todos os motivos fisiológicos, dá para especular que em torno de 60 a 70% dos problemas cardíacos decorrentes da depressão têm a ver com o impacto dela no cotidiano”, alerta Wajngarten. Em outras palavras, o indivíduo com esse transtorno costuma abandonar hábitos saudáveis – comer bem, fazer exercícios ou dormir o suficiente. E nem precisamos falar da importância dessas atitudes para que o baticum se mantenha firme e forte. Outros estados emocionais além da melancolia extrema, quando igualmente intensos, também acarretariam prejuízos ao coração. “A irritação prolongada predispõe a males cardiovasculares. Tanto que os deprimidos com ataques de raiva podem ter maior risco para essas enfermidades”, constata Fráguas Júnior. Ansiedade e pânico estão entre outras ameaças ao peito. “Entretanto, devemos ressaltar que, dependendo da situação, determinadas emoções tidas como negativas são normais e até importantes”, contrapõe Danielle Watanabe, psicóloga do Instituto do Coração, na capital paulista. “A tristeza após o diagnóstico de uma doença séria, por exemplo, é vital para repensar hábitos. Portanto, não deve ser vista como uma inimiga”, conclui. Daí a importância de consultar especialistas que auxiliem a pessoa a lidar com esses sentimentos da melhor forma possível. Vale lembrar que estamos diante de uma via de mão dupla. Ou seja, panes no coração, por sua vez, têm a capacidade de perturbar o bem-estar. “Só para citar dois casos, a insuficiência cardíaca e a hipertensão aos poucos diminuem o fluxo sanguíneo em regiões do cérebro”, explica Wajngarten. Essa carência de líquido vermelho na massa cinzenta culmina em estragos nos neurônios, que causam desânimo, irritação… Sem contar a hipótese de que as substâncias inflamatórias geradas por algumas dessas encrencas do órgão que bombeia sangue migrariam para a cabeça e, uma vez ali, elas destrambelhariam áreas responsáveis pelas emoções. As próprias limitações vindas de um infarto, aliás, podem ser o estopim para a depressão. “Alguns pacientes não conseguem se locomover como antes e necessitam de auxílio para realizar tarefas do dia a dia”, atesta Danielle. Essas restrições, claro, despertam o sentimento de contrariedade. “É por isso que programas de reabilitação cardíaca, ao devolverem parte da independência do sujeito, estão associados a uma melhora no humor”, arremata Fráguas Júnior. Para flagrar a depressão Seus primeiros sinais – falta de interesse, dificuldade de concentração, sono de má qualidade e por aí vai – não raro são confundidos com reações normais ao estresse da vida moderna. “Por isso é primordial que os profissionais de saúde discutam com seus pacientes sobre qualidade de vida”, prescreve Wajngarten. Hoje, é possível usar um questionário rápido, chamado PHQ-9, para detectar um eventual quadro depressivo no início (veja abaixo). “Nada impede uma pessoa de preenchê-lo e discutir os resultados com o clínico em seguida”, pondera Fráguas Júnior. Que fique claro, porém: o teste, por si só, não diagnostica o distúrbio psiquiátrico. “Ele funciona como um radar inicial, nada mais do que isso”, reforça Danielle. De qualquer forma, se as respostas levantarem a suspeita de que algo anda errado na sua cabeça, procure ajuda. Use esse sinal de alerta para se resguardar de danos maiores. Mas uma coisa é certa: para se prevenir contra a melancolia sem fim e evitar obstruções nos vasos, aposte naquelas velhas e boas práticas. “Descobrir uma atividade física que dê prazer e praticá-la regularmente, alimentar-se de maneira equilibrada e dormir bem nos protege nessas duas frentes”, assegura Wajngarten. O melhor remédio é a esperança A crença de que as coisas vão dar certo preserva o bem-estar e o peito ao mesmo tempo. Embora os experts ainda investiguem razões para isso, o pensamento positivo no mínimo dá um gás extra para enfrentar os desafios sem desanimar ou cair em depressão. Tomando o cuidado, claro, de fugir da armadilha do otimismo cego e exagerado – esse, sim, capaz de gerar decepções no futuro. Como anda sua vida? O questionário PHQ-9, em sua versão simplificada, oferece pistas, e só pistas, para identificar uma depressão. Se assinalar “mais da metade dos dias” para ao menos dois itens, ou “vários dias” para o primeiro, o segundo, ou o último, consulte um especialista. Marcar “quase todos os dias” em qualquer tópico também merece uma consulta com o médico Durante as últimas duas semanas, com que frequência você foi incomodado por qualquer um dos problemas abaixo? Nenhuma vez Vários dias Mais da metade dos dias Quase todos os dias 1 Pouco interesse ou pouco prazer em fazer as coisas. 2 Sentir-se para baixo, deprimido ou sem perspectiva. 3 Dificuldade para pegar no sono ou permanecer dormindo. Ou dormir mais do que de costume. 4 Sentir-se cansado ou com pouca energia. 5 Falta de apetite ou muita fome. 6 Sentir-se mal consigo, achar que é um fracasso ou que decepcionou sua família ou você mesmo. 7 Dificuldade para se concentrar em situações comuns, como ler jornal ou ver televisão. 8 Lentidão para se movimentar ou falar, a ponto de as outras pessoas perceberem. Ou estar tão agitado ou inquieto que anda de um lado para o outro mais do que de costume. 9 Pensar em se ferir de alguma maneira ou imaginar que seria melhor estar morto. Fonte: Saúde/Abril, 19 de dezembro de 2012]]>

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