O porquê de tomar a vacina contra o HPV

O SUS (Sistema Único de Saúde) iniciou no último dia 10 a vacinação contra o vírus do HPV em meninas de 9 a 13 anos. E mesmo após o início da campanha ainda existem muitas dúvidas em relação à vacinação.

De acordo com o ginecologista do Hospital Daher, Dr. William Cesar Bento, na maioria dos casos o HPV (human papiloma vírus) é um vírus sexualmente transmitido, não só pelo ato sexual completo, como também pela manipulação de órgãos genitais contaminados. “O vírus do HPV é muito pequeno e necessita rapidamente entrar na célula epitelial para se reproduzir, ou seja, assim que a pessoa se contamina ele entra na célula epitelial em torno de quatro horas e já começa seu ciclo reprodutivo”, afirma.

O tecido epitelial é a camada que reveste o corpo humano, como a mucosa vaginal, colo uterino, ânus e canal anal, pênis, boca, amígdalas, garganta, base da língua, cordas vocais e orofaringe. Dentre estas regiões, o câncer do colo uterino é o mais comum, por isso a campanha de vacinação contra HPV ganha um maior destaque para o público feminino. “No homem o câncer mais comum é o de orofaringe, associado ao fumo e tabagismo, e em uma mesma proporção o câncer de ânus e pênis. Estudos recentes comprovam que 10% dos homens heterossexuais apresentem câncer de ânus por HPV, e os mesmos estudos indicam que o local primário de reserva seja o canal anal, depois ele se move para outros sítios”, explica Dr. William.

O ciclo de vida do HPV varia de 2 a 18 meses e 90% das pessoas contaminadas têm a regressão espontânea do vírus neste período, por isso não está correto dizer que uma vez contaminado pelo HPV ele ficará para sempre. “Nos últimos trabalhos publicados concluiu-se que cerca de 23,5% das mulheres atualmente apresentam HPV de alto risco ontogênico, e que em toda sua vida sexual cerca de 82% das mulheres e 95% dos homens terão contato com vírus pelo menos uma vez, mas somente 1% das mulheres contaminadas terão câncer se não forem tratadas a tempo, e a estatística masculina ainda não esta definida neste quesito”, aponta Dr. Wiliam.

De acordo com o ginecologista, a vacina contra o vírus do HPV é indicada para homens e mulheres a partir dos nove anos e sem limite de idade, ou seja, se uma pessoa tiver 50 anos poderá tomar a vacina. “Mas porque na campanha do governo o público-alvo são meninas que não iniciaram a vida sexual? É porque esta é a fase mais importante para a prevenção, mas não quer dizer que quem já iniciou ou já teve infecção passada pelo HPV não possa tomar, deve tomar sim, tanto homens quanto mulheres e por vários motivos, como proteger outros lugares que não seja a genitália, diminuir a circulação viral e evitar recidivas de lesões HPV induzidas”, alerta.

Além de ser a fase mais importante para a prevenção, o governo selecionou a faixa etária de 9 a 13 anos também por questões de saúde pública, custo efetividade da ação, abrangência da vacinação e resultados em longo prazo. Mas isso não quer dizer que as outras faixas etárias e os homens não possam tomar a vacina, somente terão que recorrer à rede privada.

Segundo Dr. William, os trabalhos realizados no mundo sobre o efeito da vacinação demonstram que ela é segura e eficaz. “Não houve relatos de efeitos colaterais severos e nem de morte, como alguns sites radicais dizem, no mundo todo já foram administradas mais de 120 milhões de doses e o efeito mais comum é dor no local, febre e inchaço”, finaliza.

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