Uso de anticoncepcional aumenta risco de trombose

4xi11wltaf_tx3id6n8s_fileHá diversos fatores que podem levar à doença, explica o angiologista e cirurgião vascular do Hospital São Luiz Eduardo Brigidio. — Cirurgias longas, passar muito tempo sentado, como dentro de um avião, ficar acamado por doença, a trombofilia (doença do sangue) e a gravidez são fatores que podem aumentar o risco para a trombose. Mulheres fumantes que utilizam anticoncepcional também “têm o risco aumentado em muitas vezes”, alerta o médico. — Não é que todo mundo que toma anticoncepcional vai ter trombose. Mas quem fuma e usa pílula tem mais chance que as outras pessoas, pois a nicotina e o hormônio associados modificam o sangue facilitando a formação de coágulo. Trombose após fratura Foi logo após a gravidez que a engenheira química, Ana Cristina Campos, 37 anos, descobriu que tinha risco de desenvolver trombose. Ela teve infarto placentário (morte da placenta) e a causa poderia ter sido trombofilia (um dos fatores de risco mencionado pelos especialistas que predispõe à TVP). Os exames confirmaram a doença sanguínea. Pouco tempo depois, ela teve trombose. — A trombose mesmo tive e descobri após imobilizar o joelho (ela sofreu uma fratura na patela após uma queda no quintal de casa), pois a imobilização é uma situação que aumenta o risco, já que há mais dificuldade do sangue circular. Senti ardência na parte interna da coxa. Incomodava bastante para andar. Ficou até com umas marcas/manchas vermelhas. Além das dores, a trombose pode provocar embolia pulmonar, o que é “muito perigoso”, explica Brigidio. — A embolia se dá quando um trombo se desprende do local e para no pulmão. Então, ele [o trombo] interrompe artéria do pulmão e pode trazer complicações respiratórias e levar até mesmo levar a pessoa à morte. Por isso, é necessário tratamento assim que o problema for descoberto. Tratamento e prevenção Os médicos explicam que o tratamento para a doença são os remédios anticoagulantes, que têm como função “afinar” o sangue e evitar a formação de coágulos. Foi com um destes medicamentos que, depois do susto, Ana Cristina começou a tomar. — Como minha TVP foi alta, pois pegou até a parte superior da perna, o tratamento mínimo com anticoagulante é de seis meses, mas tomei por um ano. O vascular recomendou tomar o resto da vida, pois tenho trombofilia. O hematologista não acha necessário o resto da vida, mas no momento tomo AAS. O especialista do Hospital São Luiz explica que, geralmente, a pessoa toma remédio por cerca de 30 dias, mas o uso da meia elástica é necessária para o resto da vida, especialmente em situações especiais, como, por exemplo, ao andar de avião. No caso de Ana Cristina, ela terá que tomar o remédio “a vida toda”, assim como o uso da meia elástica. A engenheira também conta que segue outras recomendações médicas para prevenir o problema. — Vou seguir o para o resto da vida: movimentar a perna (a panturrilha é como uma bomba e é essencial o seu movimento na circulação do sangue da perna) e fazer exercícios físicos: os médicos me recomendaram hidroginástica, pois a pressão da água auxilia, manter o peso sob controle, já que o aumento de peso significa aumento do risco, tomar bastante líquido e não tomar nunca mais anticoncepcional. Exame genético pode ajudar mulheres Um dos fatores de risco para trombose, a trombofilia pode ser diagnosticada com simples exame genético. Hoje em dia, os convênios médicos são obrigados a ofertar o teste, explica o obstetra e geneticista diretor da clínica Chromosome Medicina Genômica, Ciro Martinhago. — Se a pessoa tem o gene portador da trombofilia, o risco de ter trombose aumenta de seis a oito vezes. Com o uso de anticoncepcional esse número pode subir para 30. O especialista afirma que, com o exame, a mulher portadora pode se prevenir em “três fases de sua vida”. — Se ela sabe o resultado, quando, ainda adolescente, procura o médico para tomar anticoncepcional, saberá do risco. Depois, quando resolve ser mãe [gravidez aumenta risco de trombose], o médico poderá prescrever um remédio para afinar o sangue e, assim, ela se previne. Por último, na plenitude da vida quando ela vai precisar do uso da reposição hormonal saberá que pode correr riscos. Não é porque tem o gene da trombofilia, que a mulher terá trombose, mas se é possível prevenir, melhor. Fonte: R7]]>

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