9 mitos sobre a fertilidade

Já ter tido um filho não é garantia de ter outro sem dificuldades; endometriose nem sempre é causa infertilidade

Num país em que quase 10% da população é infértil (são cerca de 15 milhões de pessoas), não faltam especulações sobre fertilidade. No entanto, nem sempre o que se ouve é verdade. Por exemplo, será que uma mulher com menstruação regular é sempre fértil? Quem já teve filho não terá dificuldade de ter outro? E por aí vai. Confira abaixo alguns mitos sobre o assunto:

1. Um bom estilo de vida é suficiente para garantir fertilidade Dormir bem, comer saudavelmente, fazer exercícios físicos e manter o estresse sob controle é sempre recomendado para a fertilidade. No entanto, outros fatores podem estar relacionados, comprometendo o desejo de ser mãe. Para quem não tem alimentação saudável, é bom começar a ter. Veja alguns alimentos amigos da fertilidade.

2. Tenho miomas uterinos, logo sou infértil Não, apenas em alguns casos, como quando o mioma aparece muito cedo. Se ele crescer demais – por causa dos hormônios normais da idade fértil –, pode causar anormalidades anatômicas e sim, interferir na fertilidade, explica Maria Cecília Erthal, ginecologista especialista em fertilidade do Centro de Fertilidade da Rede D’Or. No entanto, há tratamento cirúrgico minimamente invasivo e, dependendo do caso, só o acompanhamento dá conta.

3. Já sou mãe, logo posso ter outro filho sem dificuldades Engravidar naturalmente uma vez não é garantia de uma próxima gestação natural. Quando isso não acontece naturalmente, é chamado de infertilidade secundária, e é tão comum quanto a infertilidade primária (dificuldade e engravidar pela primeira vez). Com o passar dos anos, a saúde do casal pode se modificar, provocando a infertilidade. As possíveis causas devem ser investigadas com um médico.

4. Tenho menstruação regular, isso significa que sou fértil Maria Cecília Erthal explica que menstruar regularmente não significa que a mulher é fértil. Segundo ela, outros fatores (que não alteram o ciclo menstrual) podem implicar na dificuldade de engravidar, como problemas uterinos, tubários, cervical ou até mesmo razões desconhecidas.

5. Infertilidade é problema só das mulheres Nada disso, a mulher e o homem dividem os casos. A médica explica que  em 30% dos casos o problema está com a mulher, em outros 30%, com os homens, de 15% a 30% com os dois e 10% são causas desconhecidas. Quando há dificuldade de engravidar, o homem e a mulher devem passar por uma investigação clínica para descobrir qual é o tratamento adequado – e para quem ele será.

6. Já fiz tratamento e não funcionou. Já recorri a uma clínica e o tratamento não deu certo. Meu caso não tem solução. Como a medicina não é matemática, é impossível prever os resultados, embora aja-se de acordo com as estimativas percentuais conhecidas ao longo dos anos. No entanto, ter feito um tratamento e ele não ter funcionado não significa que outras tentativas não funcionarão. “A perseverança muitas vezes leva à tão desejada gravidez”, explica Maria Cecília. “A caminhada pode ser longa, mas o objetivo final faz compensar qualquer esforço”.

7. Tenho endometriose, logo sou infértil. Nada é 100% na medicina, diz a especialista da Rede D’Or. “A endometriose, quando leve, diminui o potencial fértil da mulher, mas não é responsável pela infertilidade”, explica. Segundo ela, a mulher pode demorar mais para engravidar, mas quando é leve, o tratamento resolve o problema. Agora, se a endometriose é moderada a acentuada, as chances de infertilidade aumentam.

8. Não consigo engravidar mas não vou procurar clínicas de fertilidade porque a única técnica disponível é a fertilização in vitro e, com isso, corro o risco de ter gravidez múltipla É um engano, já que a fertilização in vitro não é a única técnica disponívei nas clínicas de reprodução humana assistida. Há também a inseminação intrauterina e o coito programado. Dependendo do caso, o casal que não consegue engravidar pode até nem precisar de nenhuma dessas técnicas, ou precisar de algum procedimento cirúrgico que reestabeleça a fertilidade. Quanto ao medo da gravidez múltipla, ela varia de acordo com quantos embriões foram transferidos para o útero. Hoje, já é possível minimizar o risco de gravidez múltipla, transferindo apenas um embrião para o útero.

Fonte: www.saude.ig.com.br

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